NUNCA IMAGINEI

Nunca imaginei

Na minha vida têm acontecido coisas que nunca imaginei.

Nunca imaginei que passaria as noites de sexta-feira em baixo de viadutos. E que esperaria a semana toda ansiosamente por esse momento.
Nunca imaginei que, sendo filho único e mergulhado no egoísmo, um dia teria imenso prazer em simplesmente servir, ao lado de pessoas que tenho orgulho de chamar de irmãos.
Nunca imaginei que receberia de graça tesouros muito maiores que aqueles que meus professores da faculdade me incentivaram a buscar, justamente nos lugares onde a maioria deles tem vergonha até mesmo de passar perto.
Nunca imaginei que, apesar dos conselhos exaustivos e super-protetores de minha mãe, eu iria não só falar com “estranhos” na rua, mas também comer com eles. Não só dar carona a “desconhecidos”, mas abraçá-los e cantarmos juntos nas sarjetas. Não só parar com viciados em drogas e prostitutas, mas darmos nossas mãos e nos emocionarmos juntos falando de Deus e de suas longas e difíceis vidas, e assim perceber que, realmente como disse Jesus, talvez eles entrem mesmo no céu antes de nós.
Nunca imaginei que veria pessoas jogando no lixo a substância que mantém seus corpos e mentes aprisionados, trocando horas de prazer alucinante por alguns minutos de comunhão na presença de Deus.
Nunca imaginei que ouviria verdadeiras lições bíblicas e louvores profundos de bocas ainda dormentes por álcool, pelo qual se dedicaram durante todo o dia.
Nunca imaginei que no chão sujo de uma estação, receberíamos de um menino sem lar o único bem de valor que ainda guardava, apenas com a condição de que nunca nos esquecêssemos dele.

Imaginei a presença de Deus dentro de congregações enfeitadas, a reconhecia em homens bem vestidos, a buscava nos louvores afinados e nas ministrações eloquentes. Mas não pensei que a encontraria trabalhando em becos escuros, tocando pessoas que a sociedade desistiu, tão longe da igreja, tão fora dos “padrões” religiosos.
Nunca imaginei que, nas vésperas do Natal, mais do que um jantar com meus queridos parentes, me envolveria em um banquete com os marginalizados pela sociedade. Banquete esse que vimos multiplicar.
Também não imaginei que, ainda nessa época do Natal, aprenderia valiosamente o quanto estamos ocupados demais buscando Deus no conforto de nossa estalagem, onde não existe mais lugar nem para uma pobre mulher grávida, enquanto o mesmo Deus pode estar nascendo numa estrebaria no final da nossa rua. E por ser um lugar onde costumamos tapar o nariz ao cruzar, perdemos a oportunidade de também sentir o cheiro do incenso que já está sendo depositado aos pés da manjedoura.

Enfim, eu sempre tive a consciência de que Deus, em seu infinito poder, pudesse fazer muito por mim. Mas nunca imaginei que eu, em minha insignificância, pudesse participar de um projeto, onde através do pequeno ato de distribuir um prato de sopa, tivesse a oportunidade de fazer algo por Ele.

Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.   Mateus 25:40

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