Missões transculturais: se moldando ao outro

Família deixa vida no Brasil para se dedicar ao povo Maori, na Nova Zelândia

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Por Isabela Ribeiro

Existem inúmeros motivos para fazer com que uma pessoa se desloque de um país a outro: estudos, trabalho, férias, visitar alguém que mora longe, ou simplesmente conhecer novos lugares. Mas dentre todas essas razões, existe ainda uma outra, muito nobre: missões transculturais. Todos os anos milhares de pessoas abrem mão de família, carreira, conforto e estabilidade financeira para dedicarem suas vidas, ou parte delas, a outras pessoas e causas. Este é o caso da família Codeço, que deixou a vida no Brasil para viverem como missionários em tempo integral na cidade de Tauranga, junto ao povo Maori, o qual representa 15% da população da Nova Zelândia.

Eduardo, Angélica, e as filhas Maria e Clara Codeço, são parte de Jovens Com Uma Missão (JOCUM), uma das maiores organizações missionárias cristãs existentes, fundada no Havaí há mais de 50 anos. Atualmente, a JOCUM contém 1.100 centros de atividades, em 171 dos 238 países do mundo, e conta com quase 17 mil missionários, sendo aproximadamente 1.300 brasileiros trabalhando em período integral.

A família está na Nova Zelândia há 10 meses, e ainda passa por um processo de adaptação. Nesse tempo eles tem se esforçado para aperfeiçoar o inglês e aprender a língua maori, ambas consideradas oficiais no país. Eduardo, além de missionário, é bacharel em teologia e músico profissional. Durante a adaptação no país, a família tem servido a uma escola para crianças de até 13 anos e frequentado um hospital para pacientes terminais, levando música, carinho e alegria. “Basicamente, minha família e eu vivemos aqui tentando mostrar, através de nossas vidas, a vida de Jesus. Não queremos mudar os costumes culturais, pelo contrário, nós nos moldamos a eles.” Explica Eduardo, se referindo ao povo Maori.

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 Quando questionado a respeito do contraste entre os países, Eduardo citou a maneira como o povo encara valores como a honestidade: “no supermercado nós mesmos passamos nossas compras e pagamos. Quando perguntei se ninguém trapacearia levando mais coisas ou pagando menos a resposta foi , ‘quem faria isso?’ “. Ele ainda ressalta uma vantajosa característica brasileira, resultado da nossa vasta diversidade cultural: “Temos a tal da adaptabilidade. Exceto pela língua, a adaptação aqui não é difícil “.

Como missionários em tempo integral, a família conta com a ajuda financeira de familiares, amigos e igrejas para se manter. Viver dia após dia sem saber de onde virá o sustento não é tarefa fácil, especialmente tratando-se de uma família inteira. Mas para os Codeços, isso não parece ser uma preocupação, seu amor pela missão está acima que qualquer desafio: “Fui para missão porque acredito que viver é mais que estar vivo, e amo as pessoas. Justamente por amá-las, quero que todos possam conhecer e experimentar o que eu já conheci e vou experimentando : um relacionamento com Deus através de Jesus. Estamos reeducando a nossa maneira de olhar as pessoas e respeitá-las. Entendemos que estar aqui é o que o Criador de todas as coisas tem pra nós, e não é nenhum sacrifício obedecer!

A família não pretende voltar a morar no Brasil, pelo menos não tão cedo. O trabalho na Nova Zelândia está só começando, e muita história está para ser escrita. “Conheçam a Nova Zelândia e vão encontrar um lugar para admirar para sempre”, encerra Eduardo.

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Hangi: “churrasco” maori preparado com carnes e vegetais enterrados com com pedras quentes (sem sal)

 

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