RETROSPECTIVA 2013 | 2014 PODE SER MELHOR

Em 2013 um gigante acordou, mas voltou a dormir profundamente em pouco tempo. Milhões de pessoas foram para as ruas para se posicionarem, manifestarem e lutarem por seus direitos. Uma nação cansada da corrupção, da péssima condição das políticas públicas e principalmente entediada de permanecer calada e passiva a tudo. Entretanto, seres inescrupulosos – me recuso a chamá-los de pessoas, nesse texto – se aproveitaram do movimento para destruírem bancos, praças, carros, lojas e tantas outras coisas, causando assim uma mancha em um movimento tão digno de respeito. Ainda bem que estes foram a minoria, diante de uma multidão em fúria, mas inteligente, pacificadora, com sabedoria e conhecimento de causa.

Em 2013 um novo Papa surgiu no cenário trazendo consigo um discurso de humildade e fraternidade entre os povos. Uma linguagem que busca ensinar mais a ação do que as próprias palavras. Absteve-se de mordomias oferecidas pela Igreja Romana para comprovar de maneira prática seu discurso de simplicidade. Entretanto, vimos 3 milhões de pessoas se sacrificarem das diversas formas para vê-lo em um evento. E ele, aparentemente não se incomodou com – a idolatria disfarçada de fé – isso. Todavia, esse papado teve algo de peculiar, Bento XVI não morreu, mas renunciou para que outro assumisse. Uma renuncia de poder, que segundo o Papa Emérito foi em favor da saúde da Igreja, já que a sua própria já não estava bem. Com seu discurso, Francisco nos aguça a esperança por mudanças em uma igreja governada por homens tradicionalmente poderosos. 2014 promete novidades – positivas ou não – para uma das mais antigas instituições existentes.

Em 2013 o país inteiro acordou em luto. Mais de 200 jovens perderam suas vidas em uma tragédia dentro de uma boate no Sul do país. Um incêndio que não sufocou apenas os que sobreviveram e aqueles que morreram, mas também a alegria de famílias que viram jovens tendo o ciclo de suas vidas interrompido de maneira tão catastrófica. Com tamanho drama vivenciado aqui, mas acompanhado pelo mundo todo, vimos discursos e posicionamentos dos mais distintos. Houve quem criticou, acusou, lamentou, amou e ajudou, mas, infelizmente vimos também pessoas que se esqueceram da dor do outro e aumentaram ainda mais as feridas. Mais amor, por favor!

Nos gramados, um tapetão coberto de sujeiras foi estendido favorecendo os “mais fortes”. A violência que sempre foi pauta voltou a ser discutida. Os milionários estádios da Copa não ficaram prontos, mas ficaram ainda mais caros, tiraram vidas direta e indiretamente, afinal, com tanto dinheiro seria possível mais hospitais, escolas e por aí vai. Porém, não vou me alongar nisso, pois há quem diga que “Copa do Mundo não se faz com hospitais”, frase que de maneira lógica está correta, mas também não se faz uma nação melhor com Copa do Mundo, muito menos se prioriza um evento sacrificando os direitos básicos de um povo. Mas aqui, tudo é festa, então que pelo menos consigam o tão “importante” Hexa. E que em 2014 o futebol seja ganho e perdido dentro do campo e não em uma sala de tribunal.

E as enchentes? Em 2013 vimos o mesmo filme caótico de vários anos; fortes chuvas deixam centenas de famílias desabrigadas, mata pessoas e afoga a esperança de um povo cansado de ter que ano após ano perder tudo, mesmo se tendo tão pouco. Há uma quantidade exacerbada de promessas em anos de eleições, porém, durante os mandatos vemos pouca – ou quase nenhuma – ação para diminuir ou resolver o problema das enchentes e moradias em áreas de risco. Não se tem políticas públicas que nos reserve os direitos básicos de uma constituição aparentemente falida e esquecida quando o artigo é “direito dos pobres”. Mais um motivo para IR PRA RUA em 2014.

Em 2013 vimos criminosos disfarçados de políticos finalmente sendo presos. Um ministro de justiça desafiou um sistema muito bem sistematizado ao longo de décadas e decretou prisão aos corruptos. Com seu ato, Joaquim Barbosa (me orgulho em escrever o nome deste nobre homem) devolveu – ou pelo menos tentou – a esperança na justiça brasileira para um povo cansado de ver tudo acabando em pizza. Dessa vez, a pizza fomos nós que comemos assistindo os noticiários informando a prisão dos bandidos. Foi nos dada a esperança na justiça que até então não era praticada de maneira justa aos mais ricos e influentes. Mas, sem essa de campanha do tipo “Joaquim Barbosa” para presidente, afinal, precisamos de homens como ele para supervisionar os políticos de nosso país, separando o joio do trigo.

Em 2013 apagou-se uma luz na África. Nelson Mandela, um pacificador, revolucionário e admirado homem deixou o legado de que se pode fazer uma revolução sem armas, sem violência, apenas com o uso da inteligência e busca pela paz. Um homem que dividiu a história de um povo; antes e depois do apartheid. Que nos lembremos de Mandela quando formos novamente às ruas.

Um novo ano bate em nossa porta e o que faremos? Vamos esperar passar o carnaval mais uma vez? Que desfilemos menos na Sapucaí e sejamos mais conscientes de nossas obrigações. Ano de Copa do Mundo sim, mas principalmente ano de eleições. Não vai adiantar votar errado outra vez e depois ir para rua. Ano em que teremos uma nova oportunidade de sermos generosos, compreensivos, dispostos e encorajadores. 2014 pode ser melhor, depende apenas do que faremos para que isso ocorra. Concentrarei minhas energias no carnaval e na Copa, ou na busca por uma nação mais justa, honesta, servidora e amante do próximo? 2014 pode ser melhor!

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s