O circular e a Mega Sena

656507_61949188xSe você costuma andar de ônibus circular no horário das 18h sabe que essa não é uma das experiências mais agradáveis, pelo menos não aqui na minha cidade. O clima de tensão já começa no ponto de parada, onde um amontoado de gente (muitas vezes cansada e estressada do trabalho) espera impacientemente pela chegada do transporte.
Quando o veículo se aproxima, começa a demarcação de território. Olhares ameaçadores se cruzam e pezinhos rápidos se movem buscando a melhor posição.
Ao parar no ponto, as pessoas começam embarcar. Em instantes todas as vagas são preenchidas e o espaço fica cada vez mais escasso. Os últimos passageiros precisam ser talentosos para se encaixarem espremidos, mas claro,  sem causar constrangimentos ou incômodos, esbarrando de forma inconveniente nas pessoas.
O ônibus segue viagem e a aventura continua. O calor abafado, gerado pelo excesso de contingente provoca o fenômeno da transpiração, fazendo com que corpos exalem odores que desmascaram a farsa dos desodorantes “48 horas de Proteção”.
Buracos na estrada e curvas fechadas testam nossa resistência e habilidade de contorcionismo, bem como as conversas variadas e paralelas testam nossa paciência.
Por fim, quando finalmente chegamos ao destino saltamos para a liberdade. Olhamos nossas mãos e com elas checamos a integridade do restante do corpo (e dos bolsos). Estamos inteiros e ainda com a carteira inviolada, somos sobreviventes.

Agora imagine que no meio dessa viagem urbana, você descobrisse que é um dos ganhadores da loteria mais famosa do país, a Mega Sena. Ao chegar em casa o prêmio milionário estaria te esperando e, conforme o próprio título do concurso, daria uma grande “virada” em sua vida. Não mais trabalho,  dificuldades financeiras, e claro, não mais ônibus lotado.
Como você encararia o restante do trajeto sabendo dessa notícia? Talvez dançaria alegremente já no ponto, motivando todos os outros passageiros irritados devido ao atraso constante. Esperaria o embarque de todos gentilmente,  até mesmo pagando a passagem de alguns. Cumprimentaria sorridente o motorista enquanto ajudava aquela criança – não pagante – a pular a catraca. Conversaria com o maior número de pessoas possível e se envolveria nas histórias cotidianas delas.
Ao final da viagem talvez saltaria sem pedir de volta suas sacolas, que aquela simpática senhora se ofereceu para segurar enquanto você se pendurava nas barras de proteção e também não se desesperaria ao sentir falta da sua carteira que se perdera pelo caminho. De fora, acenaria empolgado a todos que permaneceriam, mas ansioso pela chegada correria para casa, feliz e satisfeito.

O destino final determina como enfrentamos a viagem. A razão, o objetivo, o alvo, é o que faz com que não apenas tentemos sobreviver, mas nos sintamos encorajados a lutar.
Na verdade, é como se estivéssemos num grande ônibus. Passando por buracos e curvas, correndo nas ladeiras e parados nos semáforos. Pessoas esbarram em nós com suas histórias e mochilas. O cheiro nem sempre é agradável, mas você sabe que seu suor também contribui para isso. Existem crianças precisando de ajuda para passar a roleta e senhoras idosas a quem você deve dar lugar. Algumas até se oferecem para levar sua carga durante o caminho.
Mas a grande diferença está no prêmio.
Se você conhece Jesus, a salvação aconteceu pra você e a vida eterna te espera em casa. A melhor coisa que podia te acontecer, a melhor notícia que alguém poderia te dar. Ao contrário da Mega Sena, a recompensa que você alcançará não tem fim e não pode ser roubada. É maior que qualquer tesouro milionário e vai te trazer definitivamente toda alegria, paz, vida e demais atributos, muito além do que jamais sonhou. E fique descansado, pois Jesus comprou seu bilhete por um alto preço e nunca o perderá. Ele guarda o canhoto na palma da mão.

Um dia essa viagem terminará e você irá pra casa, resta saber sob qual perspectiva você a percorreu. Se aproveitando todas as oportunidades de fazer a diferença ou apenas fingindo dormir, sentado no banco preferencial com seus headphones (música gospel talvez), enquanto o cidadão com deficiência tentava, com dificuldades, se equilibrar ao seu lado. Se gastando toda sua energia para tornar o percurso mais agradável aos companheiros ou usando todos os artifícios para se beneficiar à custa deles.
Enfim, com os olhos no prêmio futuro, ou no conforto atual.

Nessas loterias, quando existe mais de um ganhador, o prêmio é dividido em partes iguais, o que diminui muito o valor dependendo da quantidade de vencedores. O que acontece é que alguns apostadores nunca vão buscar o dinheiro, acabam nem mesmo sabendo do resultado do sorteio, então o prazo para o resgate se esgota.
Já você poderá desfrutar do Reino de Deus integralmente, porém ele não é exclusivamente seu, mas de cada uma das pessoas ao seu lado. Existe um prêmio e elas fazem parte do “bolão”.
E por favor, não deixe que elas apertem a campainha sem saberem disso. Não deixe que saltem sem ouvir a boa notícia que você um dia recebeu, e  transformou o curso de sua viagem. Elas tem o direito de saber. Não deixe que percam a oportunidade.

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