A ADORAÇÃO EXPRESSADA PELA OBEDIÊNCIA

Quando penso sobre adoração, algumas perguntas chegam a minha mente com uma extrema força. São perguntas que confrontam minha maneira de viver e de enxergar a adoração. Quero então, nesse texto, dividir esses questionamentos com vocês. Permitam-me fazer-lhes as perguntas que faço a mim mesmo sempre que este tema me ocorre: Em que está fundamentada nossa adoração? Para quem direcionamos nossa adoração? Quem nós realmente adoramos? Por que adoramos? E, até que ponto estamos dispostos a expressar nossa adoração através de uma vida de obediência? Mas, o que a obediência tem a ver com a adoração? Gosto da afirmação feita por Drummond Lacerda no livro “Vivendo pela Fé e Aceitos pela Graça”, em que ele diz categoricamente que “Um servo não precisa entender, precisa obedecer”¹. É uma afirmação fortemente confrontadora. Todavia, uma pergunta ainda continua em busca de sua resposta: O que a obediência tem a ver com a adoração? E, então, surge outro questionamento que precisamos nos fazer quando pensamos em adoração: Sobre quem está a nossa fé? “Não importa o tamanho da sua fé, mas sim em quem está a sua fé.” Foi o que disse Beth Garcia em uma palestra sobre Fé e Superação na Comunidade Vineyard Piratininga. Beth, com a graça e misericórdia de Deus, venceu um câncer de mama há 10 anos. E por trás dessa frase há um rico ensinamento. Afinal, podemos ter a maior fé do mundo, mas se essa fé não estiver em Cristo, por maior que ela – a fé – seja não adiantará de nada. Agora, se tivermos uma fé pequena, como do tamanho de um grão de mostarda, e se essa fé estiver em Cristo, direcionada para Ele, então, veremos maravilhas. “Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível.” Mateus 17.20

Entretanto, precisamos saber o que é adorar. William Temple nos dá uma excelente resposta quando explica que “Adorar é vivificar a consciência com a santidade de Deus, suprir a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação com a beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, consagrar a vontade ao propósito de Deus”². Isso é adoração. E a obediência está intrinsecamente ligada. Voltemos então nossos olhos para a Bíblia Sagrada, em Gênesis 22.1-14, em que veremos uma das primeiras lições sobre a adoração expressada através da obediência:

“Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: ‘Abraão!’ Ele respondeu: ‘Eis-me aqui’. Então disse Deus: ‘Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei’. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicadoNo terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe. Disse ele a seus servos: ‘Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos’. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: ‘Meu pai!’; ‘Sim, meu filho’, respondeu Abraão. Isaque perguntou: ‘As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?’ Respondeu Abraão: ‘Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho’. E os dois continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: ‘Abraão! Abraão!’; ‘Eis-me aqui’, respondeu ele. Não toque no rapaz’, disse o Anjo. ‘Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho’. Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho. Abraão deu àquele lugar o nome de ‘O Senhor proverá’. Por isso até hoje se diz: ‘No monte do Senhor se proverá’.”

Esse trecho das Sagradas Escrituras nos traz vários ensinamentos, todavia, gostaria de destacar aqui a OBEDIÊNCIA de Abraão. Uma obediência incondicional. Por isso, quero escrever sobre QUATRO VERDADES a cerca desta obediência incondicional. A adoração de Abraão expressada por sua obediência. 

A OBEDIÊNCIA NOS CHAMA PARA O SACRIFÍCIO. Deus conhecia o coração obediente de Abraão, e o pôs a prova. O diálogo de Deus com Abraão (v.1-2) é algo realmente desafiador para nossos dias. Deus pede a Abraão seu filho Isaque. E não vemos Abraão em nenhum momento fazendo questionamentos a cerca do pedido de Deus. Abraão simplesmente obedece sem questionar e apenas espera o amanhecer do dia para fazer o que o Senhor havia lhe mandado realizar (v.3). Esse sacrifício nos conduz para o ato da renúncia. Abraão, ao obedecer ao chamado de Deus para o sacrifício de Isaque, renunciou o desejo de ter seu único filho por perto, de desfrutar das alegrias da paternidade, de acompanhar o crescimento de seu filho. Quando pensamos sobre renunciar algo, precisamos compreender de que este ato deve ser feito com genuína sinceridade. Sobre renúncia Françóis Fénelon escreve que “Feliz é a alma que, ao renunciar-se com sinceridade, mantém-se nas mãos do Criador, pronta a fazer tudo que ele quer, e que não cessa de dizer a si mesma, cem vezes por dia: ‘Senhor, o que farias e que devo fazer?”³. Quando renunciamos a nós mesmos, abrimos espaço para que o Senhor exerça o que lhe é de direito, o seu senhorio sobre nossas vidas, por isso, buscamos fazer apenas aquilo que Ele espera de nós. Maior exemplo de obediência que Abraão, vemos em JESUS CRISTO, que nas palavras do apóstolo Paulo, foi “encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi OBEDIENTE até a morte, e morte de cruz!” Filipenses 2.8

A segunda verdade contida nesse episódio da vida de Abraão é que A OBEDIÊNCIA PROVA NOSSA FÉ. A conversa de Abraão com seus servos é um exemplo de fé incomum (v.5). A fé de Abraão o deu segurança em meio ao sacrifício. Ele acreditava que mesmo que seu filho fosse morto, Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar. “Pela fé Abraão, quando Deus o pôs a prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Aquele que havia recebido as promessas estava a ponto de sacrificar o seu único filho, embora Deus lhe tivesse dito: ‘Por meio de Isaque a sua descendência será considerada’. Abraão levou em conta que Deus pode resuscitar os mortos e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos” Hebreus 11.17-19. A fé de Abraão descansa na certeza de que Deus é capaz de cuidar dos mínimos detalhes (v.7-8), e por isso ele caminha em direção ao monte sem medo de que lhe falte o cuidado do Senhor.

Também somos abençoados com a verdade de que A OBEDIÊNCIA REVELA A PROVISÃO DE DEUS. Abraão já estava com tudo pronto para sacrificar seu filho Isaque (v.9): altar construído, lenha preparada, Isaque amarrado em cima do altar e sobre a lenha. Sim, estava tudo organizado para o ato máximo de obediência em adoração ao Senhor. Abraão permaneceu absolutamente obediente, em todo tempo, sem ao menos questionar a Deus o motivo de ter lhe pedido seu filho. E, é então, que o ápice da história acontece, Abraão é surpreendido pelo Anjo do Senhor, que interviu em favor de Isaque (v.10-12). NÃO! Não faça nada contra o menino, disse o anjo em alta voz. Abraão de fato temia a Deus, e se dedicava em obediente adoração. A provisão de Deus é revelada a Abraão e Isaque (v.13-14), afinal, o anjo impediu o sacrifício de Isaque e deu a Abraão um cordeiro para que fosse sacrificado no lugar de seu filho. Jeová-Jiré! Deus experimentou o coração de Abraão e ficou satisfeito. Ali, havia verdadeira adoração expressada por uma obediência absoluta. A partir daquele momento, Abraão já não era mais o mesmo. As promessas de Deus foram renovadas e a fidelidade de Deus foi mais uma vez demonstrada.

Por fim, conseguimos entender a maravilhosa verdade de que A OBEDIÊNCIA É UM SANTO ATO DE ADORAÇÃO. “A adoração começa com uma expectativa santa e termina em obediência santa.”4  E por querermos adorar é que nos tornamos obedientes. A forma de observarmos a obediência é transformada em nosso coração quando conseguimos entendê-la como um santo ato de adoração. A obediência não é mais um ato que realizamos forçadamente, contra nossa vontade, mas, agora, a obediência passa a ser uma expressão de adoração voluntária. Precisamos saber a quem obedecemos, em quem confiamos nossa vida, em quem depositamos nossa esperança. Precisamos pedir ao Senhor assim como Davi o fez “Guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo” Salmo 25.5. Ao descobrirmos em quem temos confiado nossa vida, vamos conseguir descobrir quem de fato temos adorado. Precisamos saber quem nós verdadeiramente adoramos e o que nós precisamos sacrificar. Precisamos ter nossa fé refinada e fortalecida para que em obediência vejamos a provisão do Senhor. O que nos governa? É o Senhor ou nossos pecados? Se ainda somos governados por nossos pecados, nós ainda não entendemos o que é adorar, pois, adoração é feita em santidade. Se temos conservados “pecados de estimação” e não temos buscado a libertação desses atos que desagradam ao Senhor, ainda não entendemos o que é adoração e não estamos em obediência a Ele. Precisamos, urgentemente, nos atentarmos para isso.

Talvez, mesmo depois de ler esse texto, você ainda permaneça com uma dúvida: por que nós temos de expressar a nossa adoração através de nossa obediência ao Senhor? Permito, então, que o próprio apóstolo Paulo responda a essa insistente e derradeira dúvida com suas próprias palavras “Porque Dele, e por Ele, e para Ele são todas as coisas; Glória, pois, a Ele eternamente. Amém.” Romanos 11.36

Bibliografia:

1 – Drummond Lacerda, Vivendo pela Fé e Aceitos pela Graça, p.12 – Publicado por Igreja Batista da Lagoinha

2 – William Temple – citação de Richard J. Foster | Celebração da Disciplina, p. 221 – 2013, Editora Vida.

3 – Françóis Fenelon, Cristhian Perfection. Minneapolis: Bethany Fellowship. 1975. p.4.

4 – Richard J. Foster | Celebração da Disciplina, p. 238 – 2013, Editora Vida.

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