CARTA DE UM [SANTO] PECADOR

Recentemente, enquanto assistia uma reportagem do Fantástico sobre a canonização de Madre Teresa de Calcutá, fiquei novamente encorajado pelo exemplo de fé e de disposição para a missão que essa mulher tinha. Uma missionária que é uma grande referência para a fé cristã e para toda humanidade. Impossível não me lembrar dos meus amigos que estão envolvidos com trabalhos missionários no Brasil e fora dele. Pessoas que também me inspiram assim como Madre Teresa. Pessoas santas [chamadas à santidade] como ela, você e eu.

Apesar de toda obra missionária da Madre Teresa, ela mesma, por si só, nada de bom tinha para oferecer; tudo que oferecia, antes havia recebido do Eterno por meio de Sua graça [favor imerecido] e, provavelmente por isso, ela disse com absoluta convicção “Não sou nada; sou apenas um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do Senhor, com o qual Ele escreve aquilo que deseja. Por mais imperfeitos que sejamos, Ele escreve magnificamente”. Certa vez perguntada sobre em que consistia o seu trabalho, Madre Teresa disse que era algo muito simples “coloco o pão na mesa e compartilho-o” e evidentemente compreendia que era apenas alguém se colocando na posição de mordomo dos recursos [pão] que Deus o Pai generosamente provia. Em outra ocasião foi confrontada sobre seu serviço de dar banho em pessoas atormentadas pela lepra, e diante disso respondeu: “O senhor não daria banho em um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho em um leproso”, uma resposta que evidencia alguém que entendeu que seria conhecida por ser discípula de Jesus apenas através do amor (Jo 13.34-35).

Canonizar essa mulher [e tantos outros que já foram canonizados] com o coração tão simples e consciente de que nada brotava dela, é um abuso a memória de uma pessoa que tinha total entendimento de que nada poderia fazer se não fosse por intermédio de Cristo, seu Senhor e Mestre. E, talvez por pensar que houvesse a possibilidade de ser canonizada, disse “se um dia eu for santa, serei com certeza a santa da escuridão. Estarei continuamente ausente do paraíso…”, o que deixa claro a consciência de alguém que se via como uma miserável (Rm 7.15-24) pecadora que dependia absoluta e desesperadamente da misericórdia e graça de Deus e, também de alguém que estava amorosamente inclinada a socorrer aos pequeninos (Mt 25.31-46) que foram abandonados pela multidão e conduzidos aos locais de mais densa escuridão social, pois sabia que era a Cristo que estava servindo.

A Madre Teresa de Calcutá sempre foi santa, não por realizar milagres, pois o poder vem única e exclusivamente de Cristo; mas por entender o chamado de Deus para santidade, pois Ele é Santo (1 Pe 1.16). Ela vai continuar inspirando cristãos em todo mundo também por sua vida de oração que nos ensinou que “a oração torna nossos corações transparentes e só um coração transparente pode escutar a Deus.” Sua vida vai continuar encorajando muitos missionários, e poucas pessoas responderão tão bem um questionamento sobre o utópico desafio de promover a paz mundial quanto a Madre Teresa que afirmou que isso só seria possível quando todos e cada um de nós formos para nossas casas e amarmos nossas famílias. Todavia, transformar toda a história dessa mulher em mais um objeto de fé idólatra é reduzir o legado missionário dela à um utensílio que é feito por mãos humanas [de um Papa], que têm boca, mas não pode falar, olhos, mas não pode ver; ouvidos que nada escutam e que não possui fôlego de vida (Sl 135.15-16). Considerá-la como uma divindade cheia de poder e capacidade de operar milagres é duvidar das afirmações de Jesus sobre Ele ser o único caminho, verdade e vida (Jo 14.6); que os cansados poderiam encontrar descanso nEle e terem seus fardos carregados por Ele (Mt 11.28); e de que tudo que fosse pedido [exclusivamente] em seu nome [apenas] Ele faria (Jo 14.13-14).

Que o Senhor, continue levantando homens e mulheres como a Madre Teresa de Calcutá; pessoas imperfeitas, pecadoras, mas que entenderam que a religião que Deus o nosso Pai aceita como pura e imaculada é tão somente aquela que se dispõe a cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e que não se permite ser corrompida pelo mal e pela maldade [e idolatria] deste mundo (Tg 1.27) caído. Que busquemos a santificação também pelo encorajamento oferecido por heróis da fé como Madre Teresa, porém, antes e acima de tudo, que nossa santidade passe pela Cruz do Calvário e pela morte de nossa própria carne. Que nossa adoração não seja dividida com os heróis desta terra, tão somente seja por toda nossa vida entregue Àquele que venceu o pecado, a maldade e a morte. Que nossas preces sejam apenas entregues a Cristo que foi ressuscitado e que enquanto estava humanamente vivo foi erguido aos céus com todo seu esplendor, glória e poder, permanecendo vivo e Rei sobre tudo e todos. Que nossos joelhos se dobrem em completa adoração e rendição de vida em um compromisso de apresentar um coração quebrantado exclusivamente ao Rei dos Reis, pois a glória que é dEle não pode ser compartilhada com ninguém (Is 42.8); afim de que reconheçamos que somente Ele é hoje e será eternamente nosso Senhor, Mestre e Salvador. Amém!

 Ranieri Costa, um [santo] pecador.

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